
Neste ano ocorrerá em dezembro, em Copenhagen, a Conferência o sobre Mudanças Climáticas da ONU e que reunirá diversos países do mundo. O objetivo é discutir um novo plano de ação sobre as mudanças climáticas que substitua o conhecido protocolo de Kyoto, no qual, entre outros, os Estados Unidos se recusou a assinar. O clima para este novo encontro é de muito otimismo. O Ministério das Relações Exteriores da Dinamarca já publicou dois volumes de sua revista sobre investimentos na Dinamarca sobre uma econômica sustentável e responsável. Meu desejo, como de maioria da população mundial, é que este encontro em Copenhagen possa ser muito proveitoso no sentido de se pensar, agir e refletir para uma ação humana na terra de forma sustentável e responsável com a vida deste planeta. As mudanças climáticas são, a meu ver, o mais drástico sinal de nossa secular recusa em buscar um desenvolvimento que levasse em conta o seu impacto no mundo. Uma ação coordenada entre as nações é fundamental para iniciarmos uma nova postura diante do meio ambiente e da vida, pensando agora, em nossa finitude enquanto seres integrantes desta natureza e não maiores a ela. Um dos grandes problemas que podem implicar numa reunião sem resultado algum está na falta de vontade política de muitos países desenvolvidos e em desenvolvimento. Apesar do exemplo da União Européia, nota-se pelos discursos pré-Copenhagen, especialmente por parte de Barack Obama e do presidente da China, que um acordo realmente eficaz sobre as mudanças climáticas será difícil. Não consigo entender a cabeça destes líderes que preferem arriscar toda a vida na terra em prol da defesa de grupos industriais e outros ao invés de buscar uma proposta de adaptação da economia para um modo de desenvolvimento sustentável. Como muitos relatórios da União Européia têm mostrado, a transição de nossa economia altamente danosa ao meio ambiente para uma outra com maior sustentabilidade e respeito a natureza em suas ações não significa em perdas econômicas, mas sim, num reajustamento de setores da economia. Uma economia preocupada com o meio ambiente pode revelar um grande impulso inovador na forma como produzimos e consumimos, abrindo maiores possibilidades de pesquisa, desenvolvimento de novos produtos, reaproveitamento de resíduos e matérias primas, como também uma diversificação da própria economia. Por fim, neste caso, o papel de uma educação voltada para a criatividade e inovação é fundamental.
Daniel da Silva Becker - Acadêmico de História




